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Impeachment: instabilidade política e expectativas econômicas

Impeachment: instabilidade política e expectativas econômicas

Impeachment: instabilidade política e expectativas econômicas

Desde a abertura do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o Brasil está sofrendo turbulências em diversos setores. Seja por conta das novas políticas adotadas pelo presidente interino Michel Temer, seja por conta da reação que o mercado teve a todos os recentes acontecimentos no país.

Na última terça-feira, dia 16 de agosto, Dilma leu no Palácio da Alvorada, diante de inúmeros ex-ministros do seu governo, uma carta pedindo que o senado encerre o processo de impeachment. Destinada aos senadores e ao povo brasileiro, a carta contém trechos nos quais a presidente afastada reconhece ter errado, defende novas eleições diretas e também a reforma política.

No documento, a petista frisa a importância de continuar garantindo todos os direitos previstos na Constituição Cidadã de 1988: “Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.”

Dilma também aproveitou o espaço para criticar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por aceitar a abertura do seu processo de afastamento quando ele ainda era presidente da Câmara. Em um trecho da carta ela põe em cheque a idoneidade do ex-deputado, uma vez que a própria Dilma não teve envolvimentos comprovados com esquemas de corrupção:

“Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.”

Atualmente, para que Dilma consiga ser absolvida no processo, que tem previsão de terminar em setembro, são necessários 28 votos a seu favor e dos 81 senadores hoje ela conta com apenas 21.

A presidente também apoiou a realização de um plebiscito que consultasse a população acerca da antecipação das eleições. E, apesar de ter mostrado ser muito popular, a solução de antecipar a eleição presidencial necessita que uma emenda constitucional seja aprovada.

Essa emenda, para ser aprovada, deve ter o apoio de três quintos dos parlamentares. Contudo, um percentual considerável deles se mostra favorável ao governo Temer. Dessa forma, apesar de apreciada pela grande parte da população, a medida seria difícil de se concretizar.

Rousseff fechou o seu discurso aproveitando para relembrar seu período militante, em que foi presa e torturada durante a Ditadura Militar no Brasil. Disse que tamanhas adversidades a ensinaram a ter esperança: “Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes presidenta. Quem deve decidir o futuro do país é o nosso povo.”

A instabilidade política atual, que culminou no afastamento de Dilma, refletiu na economia do país, causando consequências que continuarão sendo vivenciadas por bastante tempo. Dentre os impactos econômicos do impeachment estão as incertezas, que para muitos são motivo para sentir medo e evitar riscos.

Todavia, muitos investidores estão enxergando o momento como um tempo de oportunidades, aproveitando então para realizar lucros. Um exemplo de crescimento é o do interesse em investir na Bolsa de Valores.

Uma vez que a maior parte do volume financeiro da nossa bolsa é representado por investidores estrangeiros, cujos pensamentos não corroboravam com o estilo de governo de Dilma, o troca de presidente teve reações muito positivas no que tange o mercado de ações.

Ademais, o preço do dólar também tem contribuído, uma vez que seu preço, em comparação ao real, chegou em um dos níveis mais altos dos últimos 20 anos, fazendo então com que o investidor de fora tenha vantagem em relação a moeda. Portanto, estamos em um momento que a volatilidade inicial poderá gerar uma massiva valorização das ações.